segunda-feira, 4 de julho de 2011

SCANTABAUCHI

Sinalizar esta mensagemVANTI SENPRE!!!Segunda-feira, 4 de Julho de 2011 3:55De: "Walter Basso" Exibir informações de contatoPara: Undisclosed-Recipient@yahoo.comA mensagem contém anexos1 arquivo (341 KB)News.jpgCIAO...TE REGALO UN SORISO O NA SGANASSADA PAR TACARE AL MEJO NA NOVA SETIMANA DE RONPIMENTO DE BAE!!! CIAO DA WALTER BASSO e SCANTABAUCHI

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News

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Jacir Grando

De: Este remetente é verificado pelo DomainKeys"jacir grando" Exibir informações de contatoPara: hotohonorio@yahoo.com.brVUI OARABENIZARVE CARO NONO TONIAL PER ELBELISSIMO BLOG E PER LE BELE COSE CHE GAVE MESSO IN TELA NTERNET.
COME MI ME PIAZE TANTO EL TALIAN E VUI COGNOSSERE SEMPRE DE PIU NO DASSO MAI DE DARGHE NA VARDADA A TUTO CUEL CHE SCRIVE.
UM ABRAÇO DEL JACIR

sexta-feira, 27 de maio de 2011

ELBA TONIAL ANDREOLA

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Boa noite, meu querido tio!
Que mensagem maravilhosa. Ela nos coloca diante de uma realidade "aceitável" do que há de vir após esta vida. Ver a nossa "retirada" desta forma tão poética e simples, é algo que nos surpreende e suaviza a imagem que nos foi colocada desde criança. Que lindo ler isso: "O verdadeiro lar do passarinho é o ar e não o ninho"... que riqueza de pensamento! Obrigada! Mas, embora tudo isso nos pareça até romântico, enquanto houver vida em nossa vida, vamos vivê-la intensamente porque eu também li que: "Não podemos fazer muito sobre a extensão da vida, mas podemos fazer muito sobre a largura e a profundidade dela". Enão, VIVA A VIDA!!!! Um grande abraço da sua sobrinha e afilhada de sempre ELBA

quinta-feira, 5 de maio de 2011

TALIANI NEL MONDO

Opinion de Honório Tonial



Gò scoltà el primo bloco dea programassion TALIANI NEL MONDO, de Edgar Locatelli Marostica chel va par ária tute le stimane par meso de na rede de emissore de ràdio dei diversi Stati del Brasil ndove se parla el Talian.
El scomìnsia con na moderna version dei Comandamenti dea Lege de Dio co i sentimenti de carità e fraternità. Dopo presenta la sàgoma del programa doparando el idioma dei nostri antenati che i zé vignisti a le tere nove par construire Paesi e Sità..
Nasse un movimento grandioso destinà a risgatar la cultura, i costumi, la alegria e la creatività de un pòpolo sparamà par tuto el mondo.
Soto la oze de comando del Edgar tanti altri amighi del Talian i deventa motivadi par farghe omenaio ai nostri primi imigranti e so dessendenti.Inocra incoi i bùlgari, i sigani e altre etnie i ghe inegna ai bambini, prima de tuto la língua familiar e dopo el parlar ofissial del paese onde i vive.
El vincitor del concorso dea Buzia el vien scominsiar un movimento eclético, pien de verità, con destino a tornarse na sorgente de cultura moderna par meso dei strumenti dea nova tecnologia de comunicassion.
I nostri auguri par questa granda e significativa bandiera Che deventarà un esempio nel mondo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

GIORGIA MIAZZO

Quarta-feira, 4 de Maio de 2011 0:58:10NOVO ARTIGO!!! GIORGIA MIAZZO
De: Giorgia Miazzo Exibir contato
Para:


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http://www.bomdiars.com/colunistas/giorgia-miazzo/italianos-em-campinas-no-estado-de-sao-paulo

aqui vai meu novo artigos!!!


Italianos em Campinas, no estado de São Paulo
A vida é viagem e as viagens da nossa vida nos levam sempre para casa, viajando procuramos nós mesmos, as raízes, a origem...


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giorgiamiazzo@gmail.com

A vida é viagem e as viagens da nossa vida nos levam sempre para casa, viajando procuramos nós mesmos, as raízes, a origem.

Depois de uma parada no Rio de Janeiro, parto para São Paulo. Devo cumprir uma promessa, porque a palavra dada vale mais de mil assinaturas, é a fotografia viva do rosto que promete e se compromete, permanece gravada na mente e carrega em si o cartão de visita que temos, a impressão que damos ao mundo. Prometi que o último sábado de março de 2011, iria à grande festa da família Daolio.

E eis-me aqui em Campinas, cidade paulista, com um milhão de habitantes, um centro pequeno e um pouco apagado. Apresenta, todavia, áreas comerciais importantes e bairros luxuosos isolados e protegidos como aqueles de Alphaville 1 e 2, termo do qual se extraem o grego 'alpha' e o francês 'ville', que parecem querer impor o conceito de 'cidade primeira' em relação as outras zonas. Trata-se de um verdadeiro e próprio município, 1500 famílias e 50.000 habitantes, circundados por muro e arame farpado, telecâmaras e guardas que guardam a zona 24 horas por dia. No interior, tudo leva a uma paisagem de conto de fada, onde um esplêndido laguinho, uma calçada para passear, um clube, uma academia e esplêndidas piscinas, dão importância maior à quotidianidade. Apenas fora, se encontra uma mini estrutura comercial com negócios, dentista, farmácia, supermercado e pizzaria, tornando o local um oásis de paz e bem-estar do qual é difícil sair para confrontar-se com o frenesi da cidade.

Chego na cidade e sou imediatamente atingida por sobrenomes vênetos, os quais, como sempre, fazem as coisas em grande. Saverio Caprioli chegou ao Brasil em 1911 e iniciou a sua atividade de transportes. Mais tarde, o filho Mário continuou no setor e assim por diante pelas outras gerações até ao dia de hoje. A linha conta com mais de mil ônibus, além disso, em 1998, a empresa se uniu também para fundar a Trip, companhia aérea regional que se movimenta na América do Sul e transporta milhões de passageiros.

Os restaurantes são ótimos e para todos os gostos, alguns emplacados Zambon, Fellini, Giovannetti ou com epítetos como Macarronada Italiana e Cantina dos Gattos, mas o melhor é certamente o Bellini, cinco vezes campeão de culinária italiana, local de estética altamente italiana e com uma invejável reserva mundial de vinhos. Um exemplo recente é o Arneg, uma empresa padovana de carrocerias frigoríficas industriais.

Os centros comerciais são de nível. Fascinante o Galleria, pois no seu interior acolhe uma área natural com cascatas, palmas e vegetação variada. Incríveis as dimensões do Parque Dom Pedro, o maior da América Latina, com 8.000 lugares de estacionamento e cinco setores comerciais enormes, subdivididos em alimentação e diversão e assim por diante.

A festa, todavia, se desenvolve em Amparo, um município de 60.000 habitantes há mais de 40 km do Distrito de Campinas. Chegamos cedo, um sábado e assim tenho como viver o lugar em um dia em que a maior parte das pessoas não trabalha. A cidadezinha é acolhedora.
Com a finalidade de salvaguardar e valorizar o patrimônio arquitetônico foi sancionada uma lei que classifica e restaura os povoamentos da época colonial dos fazendeiros. Está em andamento a recuperação das características dos edifícios com o objetivo de restituir-lhe o aspecto original e de restabelecer a instalação urbanística autêntica. As ruas são uma continuação de casas cuidadas e agradáveis, com fachadas de cores variadas e de estilo colonial de tendência portuguesa e italiana. Ao centro da cidadezinha se ergue um belíssimo hospital de estrutura portuguesa, com refinadas molduras brancas que decoram um encantável céu azul. O rosa, o verde, o amarelo e as tonalidades dos vermelhos se refletem em um espelho de pensamentos e de emoções e que me levam à minha amada América Latina.

As pessoas passeiam assustadas, os casaizinhos se dão as mãos, as crianças correm, se divertem e brincam com as mães .... os barzinhos enchem de pessoas, aposentados, trabalhadores em descanso, grupos de homens de idade variada que se reencontram para beber o café e contar as novidades da semana.

É uma terra entre as mais famosas do Brasil pelo café e vale a pena parar para saborear uma boa xícara, passado no coador, expresso ou como se prefere mas com estilo claramente brasileiro. Conheço o Bar do Ponto, centro nevrálgico do município, onde se reencontram quotidianamente os pedaços históricos do lugar, senhores simpáticos e divertidos, que ao me conhecer me contam da descendência deles, me enchem de nomes e sobrenomes, de cidades e municipiozinhos, de perguntas de toda espécie, para saber de onde vêm, quem são, como se pronuncia o nome da localidade relativa a origem deles, me interpelam como se eu fosse a verdade deles, a resposta a tantas questões.

Sinto uma grande, enorme, notável responsabilidade naquelas respostas que estou dando e sou consciente que por quanto eu procure explicar, de fazer compreender, fica aquele destaque, ligado a uma cultura igual, mas muito diferente, que em poucas frases não consegue ser atravessada, facilitada a passagem, aprofundada. No município existem muitos detalhes, o sorriso doe, o gesticular italiano, aqueles olhos profundos e melancólicos, a seriedade e a honra em considerar a vida, a dignidade, junto à vontade de se divertir juntos, e existe aquele vínculo de amizade, de amor, a importância para as relações humanas, que valem tanto, traduzível naquele ser especiais com os outros. E finalmente me reencontro na Itália, no meu Brasil, aquele pelo qual estou aqui, que me turba pelos valores e o sentido da vida e ainda uma vez, depois de milhares de quilômetros feitos em avião, trens, ônibus, carros, voltei para cada. Me dou conta que a intimidade intrínsica do homem não tem nada a ver com os muros de um edifício, mas com aquele senso de paz e de vida que se percebe nos lugares familiares.

A festa é daqui a pouco, e de fato, ainda imersa naquela conversa, me reencontro já envolta pelas bandeiras italianas, em uma sala que comemora e honra a mia pequena grande terra. Uma acolhida de abraços e beijos, música italiana ao fundo, encoberta pelos vozeirõs que falam um pouco gritando, um banquinho de antipastos tricolores e uma grande panela onde está já fervendo a polenta. É o tripúdio dos primeiros, desde os “cappelletti in brodo” às “tagliatelle”, dos “gnocchi com molho” aos “cannelloni” e depois frango em húmido e molho de tomate. Tudo isto, também isto, é Brasil. Uma centena de pessoas estão em movimento e eu sou a hóspede especial e mesmo não me sentindo digna daquela homenagem, vivo com muita alegria o bem-vindo gentil, delicado, forte, sentido. Comemos, cantamos, falamos e falamos. Expõem um pedaço de papelão com as fotos dos primeiros que chegaram ao local e esta serve para fazer de fundo a foto de toda a descendência da família. Além disso, cada ano, é preparado um jarro de cerveja com o logótipo do cognome e uma foto da pessoa homenageada do ano, em tal caso, o único tio que ficou. Em suma, uma verdadeira homenagem ao povo italiano!

Tudo transcorre e se conclui muito veloz e aquele afeito italiano, se esvai, aparece o silêncio, tornam as reflexões. Me pergunto como é possível que as dezenas de anos, os milhares de quilômetros, o transcorrer natural da vida, não tenha conseguido fazer esquecer, ou ao menos dissipar a paixão pela terra dos próprios descendentes. Aquela forma de respeito máximo, a delicadeza nos particulares, a profundidade dos sentimentos, me deixaram atônita, me fazem tornar com a mente ao meu país, agora em grande crise de identidade, que nós mesmos somos os primeiros em considerar errado, insultando-o, sem piedade, denegrindo-o com rapidez. Estas sensações fazem mal, mas servem, para tomar pé da situação e olhar de longe um quadro maravilhoso que, quando se aproxima demais, perde a importância, cria confusão, de quanto é denso, rico, contraditório e desesperadamente maravilhoso.




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dott.ssa
Giorgia Miazzo
giorgiamiazzo@gmail.com
brasil: +55 21 80611699
italia: +39 3936511212

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lìngua Talian

LÌNGUA T A L I A N.
Honório Tonial

Nascido a 28 de março de l926, portanto há quase um século, passei minha infância na Linha Boa Vista, capela de Nossa Senhora do Caravagio, em Sananduva, município do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
Até aos sete anos de idade só sabia expressa r -me falando Talian.
Hoje declaro-me entusiasta desta língua que desejo resgatar, registrar e consolidar.
Mas, qual é o conceito de Língua?
Segundo Manfroi,(1979: 139) “Língua é o repertório de possibilidades utilizado por uma comunidade lingüística para produzir e interpretar enunciados”.
Giraldo(1970 : 14) assim se expressa: “La única entidad autônoma em el plano geolinguistico es la lengua concebida como el instrumento de comunicassion de una comunidad nacional dada, y de ella hay che partir definir lãs demas unidades ( dialéticos,subdialetos, hablas, etc...)”
Helena Confortin, (1991: 11 )Uma língua deve ser considerada sob dois aspetos:
1º - Constituir uma unidade lingüística.
2º - Ser uma ramificação territorial da língua comum de um povo.
Silva Neto conceitua (1955 : 15-’60: “Cultura é o conjunto de idéias, conhecimentos, técnicas e artefatos, padrões de comportamento e de atitudes que caracterizam um grupo humano. Podemos dizer que a língua é a consciência da etnicidade revelada pelas particularidades lingüísticas que distinguem e caracterizam os diferentes grupos falantes”.
Segundo Langanke (1992:24).......” Não há relação inerente entre língua e cultura: nem a língua nem a cultura determinam a forma, uma da outra, No entanto língua e cultura se entrelaçam e a adoção de uma nova língua é freqüente e, geralmente acompanhada da adoção de uma nova cultura e vice-versa.”
Os falares regionais, seus traços fonéticos e seus vocábulos próprios identificam um grupo sócio-étnico.
“Língua é o instrumento de comunicação segundo o qual, de modo variável de comunidade para comunidade, se analisa a experiência humana em unidades providas de conteúdo semântico e de expressão fônica – os monemas.(unidades da primeira articulação do signo lingüístico) Esta expressão fônica articula-se , por sua vez, em unidades distintas e sucessivas - os fonemas, de número fixo em cada língua e cuja natureza e relação mútuas também diferem de língua para língua.” ( Bunsen, 1969 : 498)
Martine ( 1978 ; 2060 ) define língua como “o repertório de possibilidades , utilizado por uma comunidade lingüística , para produzir e interpretar enunciados.Cada membro de comunidade deve conhecer o repertório em jogo que, em princípio, deve ser idêntico ao empregado pelos demais membros da comunidade.”.
Heidges simplifica: “A língua é a casa da existência. As fronteiras da minha linguagem são os limites do meu mundo.”
Assim o imigrante que não conseguia compreender e assimilar linguisticamente a sua experiência anterior estava “ fora de casa “.
Na verdadeira Babel de falares dialetais diferenciados e diante da necessidade de resolver situações inusitadas, instintivamente, iniciou-se a construção e conceituação de uma nova linguagem.
Conforme sintetizarão de San Martin ( 1989:22) “ Não é próprio do ser humano a simples construção e vivenciamento das diversas realidades delimitadas . Ele busca fragmentar o mundo que o rodeia de acordo com seu sistema conceitual. Isto porque a realidade não pode ser captada diretamente. Ela existe somente como soma de percepções . A construção da realidade resulta , portanto, da filtragem realizada pelo ser humano e é específica e privativa de cada grupo.
“ Um código padronizado , ou seja, o modelo de falar uma língua relacionado a fatores culturais, sociais e políticos que se comprovam no espaço e no tempo, é caracterizado como língua, pois, exprime e liberaliza a cultura de um grupo social , utilizado, outrossim, como língua de mercado” Helena Confortin (96: 12)
Conforme Frosi e Mioranza (1975) salientam... “Paulatinamente as comunidades se agrupavam ao redor das capelas, por serem lingüisticamente heterogêneas e começaram a sofrer transformações nos dialetos de origem. Alguns por serem pouco representativos dissolveram-se dentro do grupo e os dialetos afins se interfluenciaram Com o passar do tempo os dialetos não afins fundiram-se formando grupos dialetais.”
. Finalmente, um tipo de fusão dialetal, predominando o que fosse numericamente o mais expressivo, acabou impondo-se transformando-se no TALIAN.
Massa (1975) comenta que “essa língua comum – que não é nenhum dialeto italiano e nem a soma deles , mas uma língua comum dos dialetos, com empréstimo de vocábulos portugueses – caracteriza-se como um novo idioma neo-latino.’
Caracteriza-se como uma linguagem concreta, existencial,.com grande propriedade para exprimir estados psicológicos, situações sociais e para significar as diversas fases do desenvolvimento sócio-econômico-cultural das comunidades que o falam e escrevem.
Muitas tradições e situações da vida, bem como o resgate da saga dos imigrantes só poderão ser corretamente identificados através de palavras e expressões específicas do Talian.
- Que dizer dos provérbios inseridos como norma em suas reflexões, tão pródigos e significativos..?
Mário Gardelin ( 1967 ) enuncia “ Falado, lido e entendido por, pelo menos alguns milhões de pessoas o Talian é considerado hoje uma língua neo-latina que tem o direito de figurar ao lado das clássicas outras línguas neo-latinas: Italiana, francesa, espanhola e portuguesa.”
Na visão de Rovilio Costa ( 1998:126) o Talian “ Todavia é escrito como o português e como é pronunciado.Então não existe problema fonético.
Não são necessários novos fonemas, pois, os numerosos falantes e os escritos cada vez mais presentes identificam claramente o Talian aproximando-o e mesclado-o com. o Italiano oficial e o português vg.: porta, casa, mal, etc..., são idênticos nas três línguas”.
E, prossegue Rovilio Costa: “ A nossa língua – como muitas outras que não possuem a tutela da oficialidade e do poder,- para sobreviver adapta-se às circunstâncias buscando um consenso, seja no Brasil, seja na Itália e outros locais onde residem descendentes dos imigrantes, excluído o dialeto Toscano erigido em língua oficial italiana.”
As línguas regionais da Itália são faladas ainda hoje na sua forma tradicional, porém, sempre pelos idosos embora as novas gerações possam entende-las dada a semelhança vocabular com a língua oficial.
Muitas vezes, apenas uma ênclise ou uma próclise diferem dois vocábulos entre si..
Segundo Antônio Martelini (CR 1999) “ Talian é a mais recente língua neolatina
que se conhece”.
Ser lida e escrita

Elizabeth Gilbert - (Enviada por Helena Confortin) Origem.....

A origem da língua italiana





Eis porque é uma língua tão suave, bela, romântica e docemente harmoniosa



A origem da língua Italiana



A Europa era uma confusão de inúmeros dialetos derivados do latim que aos poucos, ao longo dos séculos, se transformaram em alguns idiomas distintos – francês, português, espanhol, italiano.

O que aconteceu na França, em Portugal e na Espanha foi uma evolução orgânica: o dialeto da cidade mais proeminente se tornou, aos poucos, a língua oficial da região toda.

Portanto, o que hoje chamamos de francês é na verdade uma versão do parisiense medieval. O português é na verdade o lisboeta. O espanhol é essencialmente o madrilenho. Essas são vitórias capitalistas; a cidade mais forte acabou determinando o idioma do país inteiro.

Na Itália foi diferente. Uma diferença importante foi que, durante muito tempo, a Itália sequer foi um país. Ela só se unificou bem tarde (1861) e, até então, era uma península de cidades-Estado em guerra entre si, dominadas por orgulhosos príncipes locais ou por outras potências europeias. Partes da Itália pertenciam à França, partes à Espanha, partes à Igreja, e partes a quem quer que conseguisse conquistar a fortaleza ou o palácio local.

O povo italiano se mostrava alternativamente humilhado e conformado com toda essa dominação. A maioria não gostava muito de ser colonizada por seus co-cidadãos europeus, mas sempre havia aquele bando apático que dizia: “Franza o Spagna, purchè se magna” que, em dialeto,
significa: “França ou Espanha, contanto que eu possa comer”.

Toda essa divisão interna significa que a Itália nunca se unificou adequadamente, e o mesmo aconteceu com a língua italiana. Assim, não é de espantar que, durante séculos, os italianos tenham escrito e falado dialetos locais incompreensíveis para quem era de outra região.

Um cientista florentino mal conseguia se comunicar com um poeta siciliano ou com um comerciante veneziano (exceto em latim, que não chegava a ser considerada a língua nacional).

No século XVI, alguns intelectuais italianos se juntaram e decidiram que isso era um absurdo. A península italiana precisava de um idioma italiano, pelo menos na forma escrita, que fosse comum a todos. Então esse grupo de intelectuais fez uma coisa inédita na história da Europa; escolheu a dedo o mais bonito dos dialetos locais e o batizou de italiano.

Para encontrar o dialeto mais bonito, eles precisaram recuar duzentos anos, até a Florença do século XIV. O que esse grupo decidiu que a partir dali seria considerada a língua italiana correta foi a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri.

Ao publicar sua “Divina Comédia”, em 1321, descrevendo em detalhes uma jornada visionária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, Dante havia chocado o mundo letrado ao não escrever em latim. Considerava o latim um idioma corrupto, elitista, e achava que o seu uso na prosa respeitável havia “prostituído a literatura”, transformando a narrativa universal em algo que só podia ser comprado com dinheiro, por meio dos privilégios de uma educação aristocrática. Em vez disso, Dante foi buscar nas ruas o verdadeiro idioma florentino falado pelos moradores da cidade (o que incluía ilustres contemporâneos seus, como Boccaccio e Petrarca), e usou esse idioma para contar sua história.

Ele escreveu sua obra-prima no que chamava de dolce stil nuovo, o “doce estilo novo” do vernáculo, e moldou esse vernáculo ao mesmo tempo que escrevia, atribuindo-lhe uma personalidade de uma forma tão pessoal quanto Shakespeare um dia faria com o inglês elizabetano.

O fato de um grupo de intelectuais nacionalistas se reunir muito mais tarde e decidir que o italiano de Dante seria, a partir dali, a língua oficial da Itália seria mais ou menos como se um grupo de acadêmicos de Oxford houvesse se reunido um dia no século XIX e decidido que – daquele ponto em diante – todo mundo na Inglaterra iria falar o puro idioma de Shakespeare. E a manobra realmente funcionou.

O italiano que falamos hoje, portanto, não é o romano ou o veneziano (embora essas cidades fossem poderosas do ponto de vista militar e comercial), e sequer é inteiramente florentino. O idioma é fundamentalmente dantesco.

Nenhum outro idioma europeu tem uma linhagem tão artística. E, talvez, nenhum outro idioma jamais tenha sido tão perfeitamente ordenado para expressar os sentimentos humanos quanto esse italiano florentino do século XIV, embelezado por um dos maiores poetas da civilização ocidental.

Dante escreveu sua “Divina Comédia” em terza rima, terça rima, uma cadeia de versos em que cada rima se repete três vezes a cada cinco linhas, o que dá a esse belo vernáculo florentino o que os estudiosos chamam de “ritmo em cascata” - ritmo esse que sobrevive até hoje no falar cadenciado e poético dos taxistas, açougueiros e funcionários públicos italianos.

A última linha da “Divina Comédia”, em que Dante se depara com a visão de Deus em pessoa, é um sentimento que ainda pode ser facilmente compreendido por qualquer um que conheça o chamado italiano moderno.

Dante escreve que Deus não é apenas uma imagem ofuscante de luz gloriosa, mas que Ele é, acima de tudo, l’amor che move Il sole e l’altre stelle... “O amor que move o sol e as outras estrelas...”



Elizabeth Gilbert